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-Porque te afastas, porque não me tens tempo, porque não liga-me, porque... [...] Ouvia ali calado. Inexpressivo. Mascando cada palavra que lhe saiam da boca! Um pouco irritado, meio triste e, talvez, abalado. -Pára - olhei-o contendo as lágrimas. –Se não queres mais, não precisas buscar defeitos, desculpas e culpas. Fala-me o que sentes e o que já não mais sentes. Não me encha de predicativos não meus... Eu te deixo ir. -Desculpas-me. Só não queria magoar-te tanto. Acabei fazendo errado, como costumeiramente sempre faço. Já de pé, peguei a bolsa que me pareceu bem mais pesada. -Me deixa na porta?! -Aonde vais? Fiz-me em sorriso. -Sozinho eu choro melhor. E aquele beijo na testa tomou como um adeus.
Escrito por Marcus Danilo às 16h59
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Avulso.
Apenas aquela pressa. Urgência... Amontoam-se emoções gritantes e quase ácidas, pórem mórbidas e desnorteadas. Um sentir sem pátria. Um cético amor por nada. E a alma perfuma-se das mais belas flores que a nada enfeitam. O céu parece mais distante e o chão quase beija a face. É a lamúria de um coração sem dono. É um ser irradiando luz que a nada ilumina...mascando sensações doces de um peito quente.
Escrito por Marcus Danilo às 02h39
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Epiderme
Olhavam-se quase que por dentro. Sentiam-se dos toques aos arrepios. Brilhavam, um nos olhos do outro. Tocavam lábios, peitos e coxas. Numa boca trégua, noutra palavras. -Me amas? Da trégua sorriso, beijo, língua, arrepios, clímax!
Escrito por Marcus Danilo às 01h59
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Frustração
Bate Salta rápido e pára Recomeça o compasso A dança desrÃtmica Dança ele canção que na mente grita Galopa as notas de origem incerta, de destino incerto, dessa mente incerta.
Coração errante Cego talvez por opção Livre por teimosia Gritando sim!, mas o eco diz não!
Dispara. Pára. Dançando a tal canção... Sem encanto pra quebrar buscando uma voz! Um canto pra se dançar.
Escrito por Marcus Danilo às 01h17
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da essência.
Ser frio, ser morno, ser frágil, ser forte, ser duro, ser racional, ser emotivo, ser ruim, ser puro, ser rancoroso, ser feliz, ser triste... Com tanto o que se ser definir-se é quase um erro. Ser algo é pra que? Pra ser autêntico? É ser fútil. Ser é além da tristeza e da felicidade. Ser é simples e incontestável. É inaudível, impalpável, invisível. Ser vai além de definir-se, pois ser é uma imposição. Não se escolhe o que se ser, simplesmente se é. Ser não se busca, não se entende, não se explica. É. Ser é aceitar. Não se constrói o que ser. Apenas se aceita. Ser não é para ser feliz, mal, amigo, amoroso, vingativo, único. Ser é aceitar o que nos atravessa. Aceitar o que nos dói em nós mesmos. É apenas ser.
O meu mistério é que eu ser apenas um meio e não um fim tem me dado a mais maliciosa das liberdades.
Escrito por Marcus Danilo às 01h41
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Latente.
Grito calado, olho para o lado e nada vejo. Solidão. Silêncio. Cresce o que há por dentro. Ardor. Ah! A dor. E como tudo o que cresce ocupa espaço, e me falta o ar. Navego no teu rosto. Oceano de cores. Prazeres. Aporto na tua boca como fosse ilha. Em mim vitorioso. Porém náufrago aos teus olhos.
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"Perder-se também é caminho"
Escrito por Marcus Danilo às 22h33
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Dança d'olhos

Sem luz olhos vagos Valseiam olhos tantos Buscam acalanto Luz dos olhos outros.
Sem cor olhos cegos Tateiam olhos vagos Vagueiam olhos outros Dançam sós olhos tantos.
Escrito por Marcus Danilo às 01h47
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Para sentir
Sentimento. Rodeado por fio de corte Cravejado de espinhos de morte.
Doce e corrosivo. Às vezes rósea carne viva às vezes pálida carne morta.
Sentimento é farsa. É fábula É drama.
Escrito por Marcus Danilo às 00h04
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Ambiguidades de ser
Sou... Mas nem sempre sei o quê!
Nem sei...talvez saiba! Passa o tempo e mudo... Também mudo sem passar o tempo!
Assim passo pelo tempo! Ou passa por mim o tempo. Não sem personalidade! Não com humor fixo!
Não com conceitos pré-ditos! Talvez em formação! Talvez não.
É lento o tal proceso.. Nem tentem me entender! Aceita ou não! Quase uma imposição.
Escrito por mdanilo_ms às 02h21
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Acalanto
E eram os p�s na areia, o vento que beijava o rosto acariciava os cabelos como dedos longos e finos. O sol penetrava a pele morena como que para iluminar as entranhas. As ondas em rever�ncias afofavam a terra sob os p�s. Entre os dedos �gua, sob os p�s terra fofa, ao peito dos p�s uma espuma dissolvia-se dando prazerosas c�cegas. Na pele o sol, o vento que, ali�s, subia do rosto aos cabelos. N�o sabia o que ele pensava ali, olhando o p�r do sol, onde o c�u era azul, violeta, amarelo, laranja, vermelho e mar. N�o era t�o bonito mo�o. Mas, naquele momento, havia qualquer coisa mais que beleza. Talvez fosse aquela falta de sentido...mas n�o era necess�rio sentido ali. Parecia n�o se importar com o que via. Nem parecia que via! O que o trouxe ali era algo q o tocava. Qualquer coisa meio doida que n�o precisava de cor, forma ou sentido. N�o tentava entender nada. Nem ensinar. Ele sentia os carinhos do mar, o ch�o afofar, o sol indo embora e levando aquele brilho laranja do seu corpo, o vento q ro�ava na pele e cochichava ao p� do ouvido... Sentia a Terra! Em um carinho de m�e.
Escrito por mdanilo_ms às 02h10
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